De um ponto de vista estatístico, e tendo em conta os dados das sucessivas análises de diversas comissões e secretariados da União Europeia, o cenário europeu no que toca às políticas migratórias, integração e antidiscriminação é na sua generalidade, favorável.Tem, no entanto, havido diversas teses académicas que contrariam em parte esta visão amplamente difundida nos meios institucionais (e por vezes académicos) de muitos dos países que integram a União Europeia (e até fora dela, no continente europeu).Comecemos então por analisar os dados do MIPEX (Migrant Integration Policy Index) relativos às diferentes categorias de integração de imigrantes da Europa (ainda) a 25.Considerando o acesso ao mercado de trabalho, os dados do MIPEX de 2007 mostram que a União Europeia se encontra “apenas a meio caminho das melhores práticas”, sendo que os países que se destacam na linha da frente são a Suécia (que aliás garante a liderança em todos os índices considerados), Espanha e Portugal, enquanto Malta, Polónia e Letónia são os que menos condições fornecem aos seus imigrantes. No que toca à residência de longa duração e ao reagrupamento familiar o cenário é mais favorável, com a Suécia de novo no topo. Na participação política e na aquisição de nacionalidade o cenário europeu é mais extremado, já que as políticas são francamente diferentes nos países da Europa Ocidental e nos países ditos de Leste. Finalmente, na questão da antidiscriminação, os órgãos da UE admitem que ainda há um caminho a percorrer, visto que os resultados não são, na sua generalidade, tão favoráveis como noutros campos, principalmente em países mais a Leste (Niessen et al., 2007)...Read more
F. Nunes: A Europa e os Migrantes no Século XXI
